Com mais de 10 milhões de corridas e operando em mais de 20 cidades, a Grow Mobility tem hegemônica presença no ecossistema da micromobilidade latino-americano.

Como visto em nosso artigo prévio, serviços de mobilidade, mais especificamente empresas operando veículos dockless, estão surgindo em todo o mundo com uma curva de adoção única comparado com outros tipos de transportes e tecnologias.

Além de não poluente e ocupando menor espaço nas ruas quando comparado aos carros, este tipo de serviço oferece oportunidades de novas viagens nas cidades, melhora o acesso ao transporte público e, torna a vida dos cidadãos mais prática, reduzindo a dependência do automóvel particular.

Serviços de micromobilidade iniciaram no hemisfério norte, com diferentes contextos, ideias e tecnologias, em sua maioria nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Sistemas de compartilhamento de bicicletas começaram nos anos 90 e, assim que a tecnologia avançou, tornaram-se popular em todo o mundo. No início, desbloqueando por ligações ou SMS, o sistema dockless alcançou popularização dos smartphones. Os operadores chineses - pioneiros no sistema dockless como conhecemos hoje - desenvolveram os maiores sistemas de compartilhamento de bicicletas com milhões de veículos em mais de 100 cidades, em geral no hemisfério norte.

Tentativas iniciais de sistemas de patinetes elétricas iniciaram em 2012 na Califórnia, EUA, mas os primeiros serviços começaram a operar em São Francisco, Washington D.C. e Los Angeles no final de 2017, com grande crescimento desde então e, com grande concentração na Europa também.


Mas como anda a micromobilidade na América Latina?

Com extensos congestionamentos, incompleta cobertura do transporte coletivo, altos índices de fatalidades e acidentes de trânsito, e grandes diferenças sociais, as soluções de micromobilidade tiveram que se reconstruir, adaptando o sucesso dos países desenvolvidos ao contexto latino-americano.Na América Latina os sistemas estão experimentando demandas parecidas à Europa e EUA, mas por diferentes motivações. Enquanto nos países desenvolvidos eles competem com transporte público, na América Latina, onde contam com preços relativamente mais altos em relação aos ônibus, trens e metrôs e, são mais baratos e eficientes do que automóveis, os sistemas de micromobilidade dockless (bicicletas, bicicletas elétricas, patinetes elétricas e motocicletas elétricas) estão ajudando a tirar pessoas dos automóveis, promovendo sistemas de transporte coletivo e ajudando as pessoas a aproveitar mais e melhor a vida nas cidades.

Para entender a conjuntura da micromobilidade na América Latina, decidimos mapear as empresas que operam na região, tentando focar em sistemas privados de patinetes elétricas, bicicletas elétricas e convencionais, e motocicletas elétricas.

A Grow Mobility Inc. - com as marcas Grin e Yellow - e a Econduce como uma parceira comercial, se tornaram líderes do panorama latino-americano, atuando nas capitais da Argentina, Chile, México, Peru e Uruguai, e em muitas cidades do Brasil e Colômbia. As tabelas a seguir apresentam os resultados das companhias operando no final de junho e começo de julho de 2019.

Panorama latino-americano dos sistemas de compartilhamento de patinetes elétricas
Panorama latino-americano dos sistemas de compartilhamento de bicicletas
Panorama latino-americano dos sistemas de compartilhamento de bicicletas elétricas
Panorama latino-americano dos sistemas de compartilhamento de motocicletas elétricas

Observando o banco de dados da Grow é possível entender um pouco como a micromobilidade funciona nos diferentes veículos e países. A tabela a seguir apresenta informações sobre o mês de início de operações, distâncias, tempos e velocidades médias. É importante esclarecer dois detalhes: em primeiro lugar, em muitos casos o GPS possui limitações de sinais e falhas durante a viagem, resultando em distâncias irreais ou vazias. Casos como estes não foram contabilizados. Em segundo, os valores dizem respeito a médias, ou seja, todo o tempo parado nas viagens, em semáforos e interseções, ou viagens a velocidades reduzidas (a empresa instrui os usuários a trafegarem a 6 km/h em áreas de pedestres e calçadas, como pedem muitas regulações no mundo), e podem, em geral, reduzir os valores de velocidade média.

Curiosidades das viagens da Grow

Na Argentina, Brasil e Uruguai as viagens de patinete tem distâncias médias em torno de 1,8 km, um pouco superior aos demais países. A velocidade média não ultrapassa 10 km/h em todos os países. Bicicletas convencionais e elétricas têm resultados similares, mas é importante saber que as elétricas estão em operação inicial, e outras análises necessitam ser refeitas assim que este modo atinja quantidades mais relevantes de viagem. Motocicletas elétricas da Econduce têm operado nos últimos quatro anos na Cidade do México e têm valores sólidos. Em geral, as pessoas viajam por 10 quilômetros em trinta minutos.Considerando que pessoas usando os veículos da Grow pudessem estar se deslocando com automóveis, torna-se possível estimar a quantidade de CO2 não emitida. Baseado nos estudos da Universidade de Stanford, adotando alguns parâmetros padrão e relacionando as viagens desde o início da operação na América Latina, as cidades deixaram de receber cerca de 9.500 toneladas de dióxido de carbono, como mostra a Tabela 6.

Informações sobre meio ambiente *A Econduce começou em 2015. Esta coluna diz respeito a bicicletas e patinetes

É possível estimar o total de calorias queimadas pelos usuários de bicicletas convencionais e elétricas da Grow. Usando valores médios, é possível adotar que pedalar uma bicicleta Yellow queima cerca de 300 kcal por hora, como encontrado em alguns estudos. Assumindo que pedalar bicicletas elétricas consome 80% da energia em relação ao exercício com bicicletas tradicionais, todas as viagens da Grow, desde o início da operação, fizeram os usuários gastar mais de 250 milhões de kcal. Como trata-se de um novo tipo de veículo, não foi possível estimar o gasto calórico com patinetes.

Conhecer bem a América Latina levou a empresa a trabalhar com as comunidades. A empresa sabe que não apenas a permissão das autoridades é necessária, mas também das pessoas e das comunidades locais. É por isso que os escritórios estão contratando tais pessoas, fomentando as economias dessas regiões.

As equipes de operações são compostas por pessoas das comunidades, dando oportunidade para quem normalmente é excluído do mercado de trabalho formal. Existe também um programa para estimular a contratação de egressos do sistema prisional, dando novos caminhos para quem a sociedade, em geral, abandona.

Com bicicletas e patinetes espalhadas pela cidade é natural que moradores de rua se interessem em tentar os equipamentos. A empresa acredita que isso não é um problema por si só, mas uma consequência da desigualdade de oportunidades encontradas nos países.

“Rolezinho” na Maloca, comunidade de Florianópolis

Como prova disso, muitas atividades são realizadas em comunidades para satisfazer a curiosidade dos moradores e fazer com que se sintam "donos" das bicicletas e patinetes, assim como os tradicionais usuários (Figura 2). Ações como essa fazem da companhia líder ainda mais forte do ecossistema da micromobilidade latino-americana.Todas essas pessoas impactadas diariamente, com uma nova maneira de se deslocar pela cidade ou com uma oportunidade de trabalho, são responsáveis por esse importante cenário. We love our cities in every way!